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Vaga perfeita, com salário menor: veja o que avaliar antes de aceitar a proposta

Por Camila F. de Mendonça, InfoMoney
A empresa dos seus sonhos abriu a vaga que você queria! Tudo seria perfeito, não fosse por um detalhe: o salário oferecido é menor do que o atual. O que fazer? Vale a pena trocar o emprego pela vaga dos sonhos, mesmo quando o salário é menor?

A troca de emprego motivada por uma melhor remuneração é comum no mercado de trabalho. A situação contrária, contudo, também ocorre. E os motivos para a mudança são muitos. Contudo, antes de aceitar ou recusar uma proposta, é preciso fazer uma série de considerações.

Nessa análise, considerar os motivos que influenciam a saída da empresa atual e aqueles que atraem para outra vaga é importante. Não esquecer do planejamento financeiro é essencial para que a troca, que deveria trazer vantagens, não se torne desastrosa. Mas, para os especialistas consultados, o mais importante é verificar o que é mais importante para o profissional e seus objetivos.  

Por que aceitar?

A falta de motivação dos profissionais com o trabalho atual é um dos principais motivos que os leva a aceitar propostas que não são atraentes financeiramente, na avaliação da consultora de Recrutamento e Seleção da Ricardo Xavier Recursos Humanos Mailara Germanowicz.

Para ela, não é raro encontrar profissionais que não se identifiquem com os valores da empresa, se sentem desmotivados, e acabam aceitando propostas que se encaixem mais com o seu perfil, mesmo se a remuneração for menor. “Muitas vezes, a empresa não propicia desafios e o profissional quer sair dessa zona de conforto”, avalia.

Objetivos bem traçados também influenciam. “Essa troca ocorre também porque muitos profissionais buscam a realização profissional”, afirma a gerente de Recursos Humanos da V2 Recursos Humanos, Andréa Kuzuyama. Dessa forma, aqueles que já traçaram a linha que querem seguir para ascender profissionalmente costumam aceitar essas propostas, desde que a vaga corresponda às suas expectativas.

A realização dos objetivos profissionais, aliás, é o fator que mais pesa nessa avaliação. “Se a vaga estiver dentro da expectativa de carreira desse profissional, ele vai aceitar, mesmo se o nível hierárquico e salário forem menores”, avalia o diretor de Operações da Human Brasil, Fernando Montero da Costa. “O sonho de carreira e o desejo de desenvolver a atividade que hoje ele não poderia influencia o profissional nessa decisão”.

Ele lembra ainda que motivos mais intangíveis também costumam ser levados em conta na hora da troca. “Muitas vezes, oportunidades um pouco mais modestas representam um salto na qualidade de vida, representam mais tempo com a família, a mudança para uma cidade mais tranquila”, explica o diretor.

O que avaliar?

Mesmo se a vaga for perfeita e muitos fatores indicarem para a troca, é preciso sim ficar atento à remuneração. “O profissional tem de avaliar essa questão do salário, sim, porque é uma questão básica”, acredita Mailara. “Ele precisa verificar se essa remuneração menor não vai comprometer o orçamento ou algum planejamento”, ressalta.

E não é só isso, já que a consultora afirma que também é preciso ficar atento à empresa que está oferecendo a vaga. “Considere as perspectivas da empresa, sua estrutura. É preciso saber se ela está investindo, como ela é vista no mercado, se há chances de crescimento para saber se vale mesmo a pena”, acredita Mailara. Para ela, também não se pode esquecer de verificar se os valores dessa empresa combinam com os do profissional.

Para Andréa, decidir pela troca é uma questão fundamentalmente financeira. “Vai muito da condição desse profissional mesmo. Se ele verificar que essa troca é positiva e tiver condições financeiras de fazer isso, ele vai trocar”, acredita a gerente de RH. Para ela, contudo, é preciso tentar responder algumas questões, sendo “Quais são as portas que essa oportunidade vai abrir?” uma delas.

Para Costa, não importa se o passo que o profissional vai dar represente uma perda salarial, o importante é que ele mantenha uma coerência ao longo da carreira. “Mesmo se você der um passo para trás financeiramente, é importante traçar uma lógica na carreira, buscando oportunidades que correspondam a esse planejamento. E esse plano precisa ser consistente e coerente”.

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